A
divindade é uma magnitude inexplicável, a qual se resume a mistério e sem
qualquer tipo de explicação que possa a vir ser resolvida pela ciência humana.
Na história da humanidade a figura de uma, ou mais, divindade sempre esteve
presente nas ações do ser humano e também na manifestação natural do ambiente.
No
mundo antigo, antes do Cristianismo, haviam muitos deuses que povoavam na
mitologia e na propagação dos atos de bravuras dos heróis de cada tempo. Se
atualmente nossos super-heróis são seres que lutam com poderes sobre-humanos de
meta-humanos, mutantes ou seres extraterrestres, no passado os contos heroicos
vinham de pessoas comuns, ou semideuses (as), que travavam batalhas épicas
contra deuses e deusas que estavam sempre dispostos e dispostas a irem contra a
humanidade por querer dominar os sentimentos e as almas dos seres que habitavam
o globo terrestre.
Minha
imaginação se remete a pré-história, mais precisamente com o fato do fogo.
Imaginemos como um povo, que ainda não tem nenhum tipo de conhecimento
científico e que nunca havia escutado algo sobre um elemento que aquece em
noites frias viesse a existir, talvez sendo um fenômeno que tenha sido
originado por um raio. Se assim o for, imagina só ver algo brilhoso “cortar” o
céu em direção da terra e ainda criar algo que queima: só pode ser alguma força
que observa a humanidade do alto. Arqueólogos e arqueólogas perceberam também
em suas escavações, ao encontrar covas pré-históricas, que havia semelhanças na
forma que os braços e pernas estavam cruzados e que em sua maioria havia no
entorno do corpo algum utensílio, podendo ser algum tipo de ritual primitivo
para a morte e que os objetos encontrados poderiam ser oferendas a algum tipo
de ser que conduzisse esses primatas e hominídeos para outro lugar.
Depois
que a sociedade começa a se organizar em cidades, deixando as pessoas de serem
nômades para sedentárias, temos então a inserção de deuses para auxiliar nos
espaços de deliberação organizacional do povoado, onde cada ação será atribuída
a um destes seres divinos. Temos deus para Justiça, deus para colheita, deus
para administração e assim por diante. Na organização militar, para proteger
seus territórios, temos armaduras forjadas e abençoadas por ritos de proteção
destinados a divindades que venham auxiliar nas batalhas que podem a vir a
ocorrer. O politeísmo é predominante, fazendo com que cada imperador, rei ou
parlamentar venha a ser protegido por seu ídolo e até ser o representante dessa
força na Terra. Algo que perdurou por anos até a chegada do povo hebreu no
Antigo Egito que traz a figura do monoteísmo, apresentando Javé como sendo o
único deus e que ele é Deus que age para libertar seu povo da opressão e da
miséria.
Acompanhando
a história de Deus na Bíblia, podemos perceber que Ele também é um ser que
apesar de ser divino se permite a evoluir junto com seu povo. No Antigo
Testamento podemos observar um figura rígida, que expulsa Adão e Eva do paraíso
por ter sido desrespeitado e derruba a Torre de Babel por que os seres humanos
querem se aproximar Dele, sendo também capaz de jogar enormes bolas de fogo
sobre Sodoma e Gomorra por não perdoar a corrupção e a violência que por ali
tinha e que em seguida predomina o mundo todo que lança sua água sobre o
planeta acabando com a vida e recomeçando tudo com a família de Noé e os casais
de animais colocados na arca. Já no Novo Testamento, com o nascimento de Jesus
Cristo, percebe-se então um deus que evoluiu ao acompanhar a sua criação humana
zelando a aliança de salvação mudando sua tática para ter os humanos ao seu
lado, não mais os ameaçando com devastação e sim se entregando em corpo e
sangue para salvar seus filhos e suas filhas de seus próprios pecados.
No
passado e atualmente o nome de Deus vem sendo utilizado como motivo de guerras,
de solicitações de ajuda e até mesmo por maioria dos políticos corruptos que blasfemam
ao querer justificar seus votos contra o povo com uma invocação de uma
divindade que a princípio está olhando pelo povo que estes tentam prejudicar. Podemos
perceber que existindo tal divindade, que Deus esteja por nós, nunca a
humanidade precisou tanto Dele como neste momento no qual a propagação do ódio
e da violência vem sendo constante em nosso povo.
Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Bacharel em História